:: o esquecível garth ennis

talvez você não saiba quem é garth ennis. e nem que ele foi um dos mais promissores roteiristas e que teve momentos brilhantes no mercado norte-americano de quadrinhos. e há uma razão pra que talvez o mundo tenha esquecido garth ennis. uma não. várias. e o segundo volume de the boys: mandando ver, lançado pela devir recentemente, é emblemático pra explicar esse sumiço.

antes de explicar porque é que ele foi esquecido, é preciso primeiro lembrá-lo. bem, garth ennis é irlandês e teve um início de carreira meteórica, principalmente devido ao seu texto visceral e punk, ao seu estilo impetuoso e agressivo, que tornou sua passagem pela revista hellblazer um sucesso estrondoso.

os brasileiros devem muito a garth ennis, afinal de contas foi em sua fase que john constantine ganhou muitos adeptos e é até hoje a mais lembrada (inclusive foi em grande parte desse período que se baseou a adaptação para o cinema). muitos guardam com carinho todas as vertigo publicadas pela editora abril, que foram casa de ennis por aqui nos anos 90.

depois disso, o cara só cresceu, transformou-se num dos figuras mais influentes da indústria: escreveu a sensacional série preacher, teve momentos interessantes com o humor negro de hitman e também arcos bem legais com o justiceiro.

só que, terminado os anos 90, parece que o cara perdeu as forças: começou a se repetir demais e a odiar muito todo mundo de um jeito assim… sem graça. o mau-humor que ele transformava em piada virou deprê.

daí era sempre a mesma coisa: tudo virava uma desculpa pra criar um personagem fodão que podia estourar a cabeça de alguém com um soco e vomitar as dores do mundo em cima de textos carregados de reclamações desnecessárias sobre religião e super-heróis.

e, the boys, que começou como série na dc comics — quando ennis ainda tinha moral –, foi banida devido ao teor politicamente incorreto (e principalmente porque escracha com TODOS os maiores heróis da casa) e encontrou abrigo na dynamite, onde é publicada até hoje.

a premissa de the boys é muito boa: os “garotos” são simplesmente uma força especial do governo pra monitorar os superseres, que, aqui, fazem muito mais cagadas do que exatamente salvar o mundo. a publicação da devir, o segundo volume de the boys por aqui, coleciona o arco “mandando ver”.

os personagens são interessantes também, todos com aquele ar fodão e sarcástico que fizeram muitos comparar ennis com quentin tarantino. o problema são… mau-gosto e, pode até rir agora, a falta de um amigo pra ennis. digamos que em the boys é como uma crítica tão sofisticada contra os super-heróis, como as de alan moore, daria errado.

o mau-gosto vai desde o nome dos personagens (hughie mijão, salsicha do amor, suruba e por aí vai) até piadinhas totalmente desnecessárias. o plot principal deste arco publicado pela devir, por exemplo, nasce porque o tecnoman (equivalente do batman) perdeu o controle de seu desejo sexual e quer comer todo mundo que vê pela frente… até o cachorro de seu psicólogo.

e a falta de um amigo para dar um conselho: poxa, um amigo diria a ennis que suas ideias poderiam ser melhores aproveitadas com um co-roteirista ou em outra mídia. você usar três quadros só pra poder contar uma piada infame de mau-gosto em um meio que exercita tanto a síntese, como os quadrinhos, é valorizar demais o que não precisa. o toque ácido de ennis seria a cereja do bolo, a ferramenta, e não o propósito de contar a história. além disso, o timing para essas tiradas sarcástica — que até gosto bastante — é típico de um meio audiovisual.

enfim, isso é the boys. é a prova que todos que um dia se deliciaram com os textos de ennis precisavam pra entender como é que ele foi esquecido tão facilmente pelo público e pela indústria. e a esperança de que os raros lampejos de genialidade vistos nestas páginas possam um dia se transformar em obras de tirar o fôlego, como já vimos no passado.

the boys – volume dois: mandando ver tem formato 16,5 x 24 cm, com 192 páginas, e custa R$ 39,90. na itiban sempre tem tudo, ela fica na av. silva jardim, 845, em curitiba. o telefone de lá é (41) 3232-5367.

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:: e vem aí… os novos invisíveis?

quem já acompanhou a série os invisíveis, sabe como uma hq pode ser uma bomba no cérebro de alguém: teoria do caos, cultura pop, literatura, devaneios visuais… enfim, uma experiência lisérgica, um verdadeiro terrorismo à banalidade e ao lugar-comum. e eis que neste ano surge um candidato a “novos invisíveis”: a nova versão de dial h for hero, de china miéville e o brazuca mateus santolouco.

bem, a premissa de dial h for hero já é meio doida por natureza: cada vez que o figura usa um telefone maluco, acaba ganhando um poder inusitado.

a séria teve três encarnações, duas delas com relativo sucesso, nos anos 60 e 80. miéville, escritor vencedor de um prêmio hugo, adiantou nesta entrevista que vai mesclar um pouco das duas e, claro, dar sua contribuição pessoal.

os desenhos vão ficar a cargo do competente mateus santolouco, um cara que bebe da mesma água que o concorrido rafael albuquerque, gaúcho que tá mandando muito em vampiro americano.

a nova série sai exatamente no meu aniversário, no dia 2 de maio, no pacote de estreias dos novos 52, da dc comics. e, a julgar pela capa (de brian bolland, o mesmo de os invisíveis), pela premissa e pelos autores, posso aguardar um bom presente: um misto outside-the-box de ficção científica, fantasia, heroísmo e nonsense. estamos precisando um pouco disso, meu povo.

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:: não precisa mais ter vergonha

mesmo sendo nerd desde pequeno, com o tempo fui passando a gostar cada vez menos de frequentar lugares com muitos dos meus pares. não é o caso de uma autodepreciação, nem nada que precise de ajuda profissional, é que com o tempo você vai ficando com mais preguiça e vergonha de certas coisas. apesar de divertido, é estranho caras com mais de 30 anos discutindo se a garra do wolverine pode destruir o escudo do capitão américa.

vale lembrar que o tal “nerd pride” é coisa mais recente, coisa da geração x dos nerds. como sou de uma geração mais velha, então não tenho mais o ímpeto que os mais novos têm de discutir essas “questões fundamentais”, sei lá, apenas fiquei chato porque já fui exatamente como eles e com o tempo você cansa.

sem contar que nessas discussões muita gente gosta mais é de mostrar o que sabe do que exatamente trocar experiências. e como já entendi que o que mais fascina na cultura pop é a criação e não a reprodução, então fiquei entediado de passar horas reproduzindo pensamentos ao invés de criar um.

claro que sinto falta dessas discussões, porque além de muito divertidas – e muitas vezes esclarecedoras -, eram também uma forma de ver a mesma história ou personagens com diferentes olhos.

então os problemas acabaram: kevin smith, o deus da nova geração nerd, levou seu programa de rádio para a tevê e podemos recriar aquele lindo momento de reflexão nerd em uma hora de programa.

os estereótipos estão ali, a partir do funcionamento da loja de quadrinhos de smith: o dono, que tem que aguentar as inúmeras figuras que aparecem por ali e mais gasta do que vende; o amigo nerd old school chato que ri de todo mundo porque cansou de rir de si mesmo; o novato que mesmo quando está certo sempre será zoado e o esquisito calado do depósito.

os episódios trazem o pessoal na rádio, com sequências que misturam momentos do dia-a-dia da loja e algum “plot” secundário que corre o show. por exemplo, todos dão risada no estúdio, comentando certo assunto, enquanto o mesmo é ilustrado na loja, simultaneamente a uma história “por fora” – um campeonato de vendas em um mercado das pulgas, no caso do primeiro capítulo.

o show vai ao ar semanalmente via amc, a mesma de walking dead, e pode ser encontrado no torrent mais perto de você, já que não há previsão de exibição em canais brasileiros ainda. só aumente o áudio e preste atenção, porque eles falam rápido pra caralho e com diálogos cheios de referências, subtextos e até piadas internas.

 

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:: e a dc comics recomeça a putaria…

tudo bem que o mundo todo já sabia que isso aconteceria uma hora. só que mal os novos 52 entraram em cena – o primeiro arco de origem que servirá de base para os próximos anos acaba de encerrar na maioria dos títulos – e os caras já vão introduzir a terra-2.

hoje mesmo o blog oficial da editora, o the source, publicou ilustrações de estudo de jim lee para o uniforme do batman da terra-2, que aparentemente é mauzão e busca vingança contra quem feriu sua filha, ou algo assim.

pô, a gente quer acreditar, a gente quer aceitar a ideia de uma revitalização, mas os caras já metem o pé na porta introduzindo terras pra futuras crises? com um retcon assim dedo no olho já perde o encanto né, sociedade?

ou estou apenas em uma má segunda-feira?

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:: um pedido especial para a panini comics

estava eu dando aquela olhada invejosa em toda a livraria cultura quando comprei, como sempre, uma ou outra leitura rápida, só pra ter o que ler com facilidade. daí levei pra casa o mix vertigo 24 da panini comics. principalmente porque sempre tem hellblazer e o rafa albuquerque tá demais com american vampire. e, pra minha surpresa, tem uma história recente que adoro, que é o joe the barbarian.

desde que saiu, joe the barbarian me chamou a atenção porque é do grant morrison e tem uma mistura que me agrada de fantasia com ficção e outras coisas da cultura pop. além da arte sensacional do sean murphy. quando trabalhava em jornal escrevi uma resenha, na época do lançamento nos estados unidos. para lê-la, clique aqui.

além de joe, american vampire vale cada centavo da revista de R$ 9,90, porque o rafa albuquerque tem valorizado muito o roteiro de scott snyder com sua incrível narrativa: capitalizando os momentos dramáticos e a ação com silêncio na hora certa, splash pages, identidade visual baseada em arte-final precisa, “solta”, aliada a cores redondinhas.

não é à toa que a série de rafa albuquerque tem levado o gaúcho ao estrelato. seu bom trabalho já rendeu ao cara, junto com o rafael grampá, roteiros importantes para a dc comics, que não costuma contratar gente de fora do circuito eua-europa para escrever suas histórias. além disso, este arco impresso na vertigo #24 figurou recentemente entre os destaques do jornal the new york times.

depois de ler, pensei: puta merda, isso tem que sair numa edição mais adequada.

assim, sou fã de tipos de quadrinho mais “fast food”, com formato despretensioso, preço mais camarada e distribuição ampla pra banca e com variedade e qualidade de um bom mix, como é o caso desta vertigo #24.

mas não pude parar de pensar que preciso fazer um pedido pra panini: joe the barbarian e arcos como este de american vampire são dignos de uma coletânea em edição de luxo. então tá aí, o pedido especial.

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:: justice league: doom está chegando

tower of babel foi um dos arcos mais legais que o mark waid (responsável pela melhor história da liga da justiçakingdom come) escreveu durante sua passagem pelo título. nele, ra’s al ghul rouba arquivos secretos de batman - que “mapeou” uma maneira de destruir os integrantes da jla, caso necessário – e monta um esquema pra eliminar o grupo.

e está chegando em forma de animação. a dc comics tem feito um ótimo trabalho de perpetuação digital de seus novos clássicos em forma de desenhos animados.

ah, sim, é também a chance de ver o último trabalho de dwayne mcduffie, que morreu faz pouco tempo. o cara não se dava muito bem nas hqs impressas, mas teve papel importantíssimo nas transposição dos roteiros das revistas para as animações.

justice league: doom está previsto para o dia 28 deste mês, nos estados unidos. e, né, no torrent mais perto de você.

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:: mondo mckeever

ted mckeever talvez tenha feito um dos melhores contos que já li do batman. nele, nosso caped crusader descobre a identidade de um assassino “conversando” com o corpo da vítima no necrotério.

a arte-final estilizada de mckeever, que une o tosco ao cartunesco de um jeito “tosco-chic”, é demais.

e o cara acaba de lançar uma série.
http://www.comicbookresources.com/?page=preview&id=11455

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:: e aí vem a temida prequel de watchmen…

assim, não sou um cara preso demais ao passado. conheço os clássicos e gosto das coisas da minha época de adolescente, só que também – na maioria das vezes – consigo e gosto de absorver coisas novas. entretanto, fico inquieto quando vejo o que será lançado com watchmen, principalmente depois do filme.

não que eu concorde 100% com a postura radical de alan moore, afinal de contas, temos sentimentos diferentes sobre os super-heróis. moore escreveu watchmen justamente pra demonstrar esse desgosto.

só que ele conseguiu isso de forma irônica deliciosa, questionando e provocando o “sistema” dentro de sua própria máquina. ele desconstruiu os super-heróis em uma revista de super-heróis. com estrutura, ritmo e composição muito semelhantes às publicações do gênero, só que com mais elegância e técnica.

a adaptação para o cinema teria pouco a acrescentar, mesmo em outra mídia, a uma história tão hermética. justamente porque é a linguagem dos quadrinhos é que a torna peça única na cultura pop. a narrativa simétrica da edição número seis (exatamente na metade da maxissérie), que conta muito sobre o metódico filho de um relojoeiro – no caso nosso doutor manhattan -, jamais poderia ser reproduzida ou acrescida de algo, mesmo no meio audiovisual.

ainda assim, gostei do filme, achei que o melhor que poderia ter sido feito, foi realmente feito. já que iriam rodar mesmo, que estragassem bonito. e foi o que aconteceu.

o resultado gostei, afinal de contas, quando watchmen foi criado, no começo dos anos 80, a ideia era chocar a sociedade acostumada com o homem-aranha de john romita sr. e o filme tem vocação pra chocar quem se acostumou com o homem-aranha do sam raimi.

só que com a adaptação veio o que moore mais temia: para atender a demanda por merchandising sobre sua criação, teriam que torná-los justamente o que eles não nasceram para ser, super-heróis de verdade.

o visual, as cenas de pancadaria, os jogos de videogame, enfim, tudo o que saiu a partir do filme claramente está relacionado primordialmente com dinheiro, algo que os super-heróis lidam com mais facilidade.

e, vamos, lá, tudo bem, já que vão tentar estragar mais um vez um clássico, então que seja da forma que vai arder menos, certo?

é isso que sinto ao ler que vão fazer sete minisséries e outras edições especiais contando o passado dos integrantes do watchmen. Isso vai transformar o então subentendido “universo watchmen” realmente no universo watchmen. (e daí já imagino até “UNIVERSO WATCHMEN EM CROSSOVER COM A TERRA-1 NA SAGA  ÚLTIMAS CRISES INFINITAS DE TODOS OS TEMPOS”)

vai ter muita gente bacana envolvida, como os sensacionais darwyn cooke, joe kubert e jae lee. escritores espertinhos que fazem bons trabalhos com regularidade, a exemplo de brian azzarello e j. michael Straczynski. e os personagens são legais, adoro rorschach, o comediante…bem, pode ser legal, certo?

alan moore, por mais gagá que já esteja, ainda é um dos poucos caras que conseguem enfrentar o coração da mediocridade com lampejos de genialidade. então me incomoda que ele não aprove essa ideia.

e então, fico querendo gostar de algo que poderia, deveria dar certo. só que sei que não vai dar. bom, vamos lá, espero também estar errado. quem sabe daqui a alguns posts esteja aqui dizendo o quanto adorei.

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:: primeiras impressões do morcego ressurgindo

pois é, pessoal, saiu o primeiro trailer de batman: the dark night rises. como sempre, sou aquele eterno otimista. mas tenho minhas razões, porque até agora o nolan não errou.

se existe alguém que entendeu o que é o batman e conseguiu levar o conceito do personagem até hoje ao cinema foi christopher nolan.

o batman é atormentado e se o mundo tivesse valores diferentes ele seria o vilão. digamos que ele seja um “psicopata do bem”. o batman é um detetive. é um excepcional combatente e estrategista. é rico e cheio de truques, imprevisível. e AMA gotham city.

por isso gostei muito dessas coisas colocadas em questões-chave nos filmes de nolan. até mesmo nos títulos, ele é muito coerente com a história que quer contar. “begins”, obviamente foi o começo. “the dark night” é explicado ao final do filme, quando gordon diz ao filho que ele é o que a cidade (que ele ama) tem que ser.

e por que então “rises”? pois é, isso está nítido no filme. por alguma razão batman não é mais tão necessário e quando é novamente testado encontra um oponente até superior a ele mesmo.

além de uma plaquinha que evoca o robin no meio da torcida, notei que o “rises” não significa apenas que batman será derrotado e vai precisar se levantar novamente.

parece que a lenda vai cair para o nascimento do herói. pelo que vi, batman, assim como no cavaleiro das trevas de frank miller, vai encontrar aliados, um exército.

talvez esteja muito enganado, mas a impressão que tive foi que as pessoas vão notar que batman é apenas um cara muito esperto e bem treinado, incorruptível, com vontade de fazer justiça. certo ou não, isso vai mostrar que pessoas comuns fazem a diferença.

e é aí que seu exército pode nascer. ou não, como diria cléber machado.

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:: o novo homem-aranha

e o novo homem-aranha hein?

apesar do mau-humor, sou um eterno otimista. às vezes tenho algumas impressões que, com o passar do tempo, vejo que foram superestimadas. mas tudo bem, é como funciona minha cabeça. o que tem o homem-aranha tem a ver com isso? bem, estou gostando das prévias.

inicialmente não achei muito legal o visual do uniforme e nem dos vilões, etc, achei muito brega, sei lá. peguei um pouco de birra.

daí começaram a mostrar muita coisa antes do tempo, já tinham fotos e atualizações sobre filmagens na primeira semana de gravação, um hype demasiado pra um filme que ainda tinha quase dois anos de produção ainda pela frente. e as revistas do aranha, como sabemos, faz um tempinho que andam num patamar medíocre raramente superado por momentos isolados.

só que daí o filme sumiu um pouco de cena.

e quando voltou, com trailer, muitos me disseram que não gostaram. mas eu gostei.

acho que a maior pergunta que sempre tive na cabeça sobre o personagem foi: como um cara todo fodido na vida consegue ser tão deprê como peter parker e tão divertido falastrão como o homem-aranha sem ter se tornado um vilão inicialmente? como um jovem lida com essa bipolaridade heróica?

como sabemos, há um custo muito grande lidar com emoções tão díspares em situações-limite. como os heróis ganharam mais densidade – a audiência jovem atual é esperta, não acredita em capacitor de fluxo, você precisa ser mais convincente -, é preciso trabalhar melhor essas coisas, especialmente no caso de um reboot.

então, qual foi o impacto de peter parker ser abandonado pelos pais? como ser o herói da vizinhança e o nerd esculachado no colégio afetava a mente do garoto?

essa fase colegial de parker é uma das coisas mais legais do homem-aranha e passou voando no bom trabalho de sam raimi.

e daí me aparece o marc webb transformando o que foi uma comédia de ação em um drama de ação. e de drama ele entende, já mostrou em 500 dias com ela.

o homem-aranha de webb (web, webb, pessoal nos eua adorou a conexão) mostra parker sendo abandonado, vestindo coisas de mendigo, com um olhar tristonho. parece querer explorar justamente o que eles podem chamar de “a história que nunca foi contada”.

é muito difícil alguém chorar com drama numa história em quadrinhos. mas é relativamente mais fácil fazer isso no cinema.

e não seria essa a melhor forma de reiniciar o homem-aranha? fazer o público chorar rindo com o amigo da vizinhança, que tem uma vida muito difícil mas ainda salva o mundo contando piadinha?

afinal, não foi por isso que nos apaixonamos por ele?

como sempre, posso estar errado. mas, né. envelhecer te faz perceber o quanto é bom também estar errado.

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